In-Culto

23 março, 2006

Porto Vs Sporting


Vamos lá imaginar que não assistimos ao jogo (os que não assistiram mesmo não precisam de imaginar coisa nenhuma) de ontem. E, interessados em saber o que aconteceu, vamos por aí à procura de alguém que nos conte a história. Encontramos estes dois indivíduos:
Indíviduo um: sítio oficial do Sporting Clube de Portugal - diz-nos isto:
O Sporting foi afastado da final da Taça de Portugal, no desempate por pontapés na marca de grande penalidade, depois de duas horas de partida que ficaram marcadas por dois erros de Olegário Benquerença, que condicionaram o resultado final: não assinalou a mão de Pepe na grande área, aos 27 minutos, e não expulsou Bosingwa, aos 97m, quando este, que já tinha visto um amarelo, cortou a bola com a mão, num lance junto à linha de fundo.
Indíviduo dois: sítio oficial do Futebol Clube do Porto - diz-nos isto:
Maravilhoso. Perfeito. Sublime. Mágico. Fabuloso. E justo. Tremendamente justo, inequivocamente fascinante, inesquecível. O F.C. Porto assegurou a presença na Taça de Portugal numa noite de emoções fortíssimas, num hino ao espírito de conquista de um clube único. Um emblema planetário. O fogo desencadeado pelo Estádio do Dragão tocou o infinito. Viva o azul e branco!
E agora?
Fim de exercício.
Nota: Não é a ideia deste texto suscitar uma discussão sobre o que realmente se passou em campo, não estando obviamente ninguém proibido de o fazer.

Turista Virtual


Ando a preparar as férias, como sempre utilizo a Internet para o efeito, descobri um site com carradas de informação, para nada mais , nada menos, que 2.200.000 lugares em todo o Mundo e ainda com serviço de email, e um fórum, chama-se Virtual Tourist e fica aqui. Usufruam!

ETA - 850 mortos


A ETA anunciou ontem um Cessar-Fogo Permanente, não sei bem o que isso é... (é o décimo, e quem sabe se o último?). Em Espanha, os terroristas renunciam à luta armada, não por reconhecerem a legitimidade do estado democrático contra o qual lutaram, mas porque foram derrotados pelo Estado de Direito (200 detenções de terroristas bascos nos últimos 2 anos). Em Espanha, quem renunciou ao terrorismo, não se arrepende nem pede desculpa ao País e às vítimas. Em Espanha, as vítimas não foram nem são esquecidas pelo povo espanhol, no entanto, ou muito me engano ou o Sr. José Luis Zapatero está afim de passar um pano sobre tudo o que a ETA fez durante as ultimas décadas. "Shame on You Mr. Zapatero"

Os Privilegiados da Sorbonne e o CPE


A Helena Matos escreveu no Público (Link para o artigo inacessível) este artigo que passo a transcrever com a devida vénia:
" O jovem escritor. O jovem talento. O jovem agricultor. O jovem actor. O jovem criador... Estamos rodeados de juventude, mesmo quando em alguns casos se alarga o conceito de juventude à idade mais que adulta: os empresários são jovens até aos 35 e os agricultores até aos 40.Para as mulheres o caso é ainda mais interessante: seja qual for a sua idade, têm de parecer sempre jovens. Pior: não só têm de parecer jovens, como têm de dizer que se sentem jovens e repetir, como quem faz um exorcismo, que estão disponíveis para amar, trabalhar e fazer o que quer que seja como há 20, 30 ou 40 anos atrás. Poder envelhecer sem culpa deve ser hoje o desígnio secretamente alimentado por inúmeras mulheres. Aliás, e provavelmente ao contrário dos homens, a maior parte das mulheres não acha assim tão interessante ser jovem. É certo que, do ponto de vista do olhar masculino sobre a silhueta feminina, as mulheres são mais interessantes aos 20 anos, mas isso não quer dizer que elas se sintam mais ou sequer interessantes quando têm essa idade. Oficialmente é-se jovem desde que se sai da escola primária até ao momento derradeiro em que uma doença ou a morte põem em evidência a idade real dos "sempre-jovens". Mesmo questões com a idade biológica como a gravidez são transformadas numa etapa do campeonato da eterna juventude. Assim enchem-se páginas e páginas sobre os riscos da gravidez adolescente e, contudo, não se dedicam dois minutos de atenção aos efeitos das gravidezes tardias quer na saúde das mulheres, quer na vida dos seus filhos. A partir do momento em que se instituiu que todos somos jovens deixar de ser considerado jovem tornou-se um estigma. Como é possível que se discriminem as pessoas pela sua idade nas ofertas de emprego? Parece-me tão grave não aceitar uma pessoa para um trabalho por ela ter mais de 35 quanto por ela ser negra ou branca. Igualmente a saída do mundo laboral deveria poder ser negociada e não ter limites etários obrigatórios. O medo de ser considerado não-jovem é também o medo de se ser excluído do mundo erótico e laboral. Assim, por esta e outras razões, vivemos numa sociedade envelhecida onde todos, sobretudo os mais velhos, fazem questão de dizer que se sentem jovens, são jovens, agem como jovens e (o que não deixa de ser inquietante), garantem que pensam como jovens.Para acudir a tanta juventude multiplicam-se os departamentos, os gabinetes, os institutos e, consoante os governos, ora temos a juventude com secretário de Estado ou ministro. No campo das artes esta obsessão com a juventude leva a ironias extraordinárias: um dos nossos mais reputados prémios literários, o Prémio José Saramago, só é atribuído a escritores que não tenham mais do que 35 anos. Se se tiver em conta que José Saramago só quase sexagenário passou a ser reconhecido como escritor, esta opção etária não deixa de ser peculiar. Acresce que fazer um bom romance antes dos 35 anos é mais uma excepção do que uma regra, mas essa é matéria que fica para outra crónica. O que por agora conta é que qualquer rabisco feito por um jovem tem logo essa mais-valia incontornável: ter sido feito por um jovem. O mesmo se passa com as manifestações em França ou as convocatórias para os macrobotellones em Espanha - ou seja, o terem sido estas manifestações convocadas por jovens tem a capacidade de gerar não só uma incontornável culpa na sociedade - onde falhámos para que eles estejam a fazer estas coisas? -, como também é suposto que as reivindicações, protestos ou prosaicas bebedeiras dos jovens estão sempre imbuídas da razão de quem tem o tempo a seu favor. Os antigos gregos acreditavam que algo unia o discurso da poesia e dos poetas aos desígnios dos deuses. Nós que fizemos da juventude um culto acreditamos que os jovens e os seus comportamentos, sobretudo os mais inexplicáveis como os macrobotellones espanhóis, são uma espécie de descida à gruta do oráculo dos tempos que estão para vir. E tal como acontecia no olímpico passado em que aqueles que tinham a responsabilidade de decidir passavam horas a tentar entrever algo de inteligível nos pedaços desconexos de frases sussurrados pelas sibilas, também agora as mais vetustas cabeças tentam entrever algo que faça sentido no desconchavo alcoólico que varre a Espanha e no "vamos brincar às barricadas" que se instalou em França.Os saudosos do Maio de 1968, que não por acaso se imaginaram e imaginam eternamente jovens, vêem nestes eventos uma espécie de expressão do mesmo mal-estar que há quase 40 anos os levou a admirar Sartre e a perseguir Raymond Aron. Hoje sabem que então se enganaram na escolha, mas de cada vez que se levanta uma barricada sofrem duma espécie de cirurgia estético-intelectual e voltam a sonhar com praias sob as pedras da calçadas ou mais precisamente com um Estado que os subsidiasse, patrocinasse, alimentasse... numa eterna praia-esplanada onde eles desenvolveriam mil fastidiosas teses, filmes e performances sobre a injustiça desse mesmo Estado. Na verdade, a geração que tanto protestou em Maio de 68 quase que conseguiu esse objectivo. Usufruiu de condições únicas de reforma, Segurança Social e apoios vários. Agora tudo isso está em risco, como bem sabem os polícias que enfrentam os manifestantes. Aqueles, em 2006 tal como em 1968, precisam de trabalhar para pagar as suas contas e, por isso, sujeitam-se a levar com garrafas em cima, pedras e tudo que aos jovens ocorrer atirar-lhes. Mas, ao contrário do que acontecia em 1968, as forças policiais seja em França ou em Portugal estão a perder direitos e regalias que consideravam inquestionáveis. Se os jovens que se manifestam contra o Contrato Primeiro Emprego (CPE) estivessem minimamente atentos ao mundo laboral, saberiam que dentro de pouco tempo nem essa medida proteccionista o Estado francês lhes poderá propor. À volta das fronteiras da velha Europa milhares não apenas de canalizadores mas também de licenciado polacos, checos, húngaros, russos, búlgaros, ucranianos... esperam poder trabalhar e mostrar a sua sólida competência em empresas da França ou de qualquer outro país da União Europeia. E afinal quem não prefere contratar ou trabalhar com um deles, em vez de ter de laborar com um daqueles manifestantes, tenha ele CPE ou não? Quanto aos canalizadores, pedreiros e electricistas, bastaria aos jovens dos macrobotellones e das barricadas na Sorbonne lerem um pouco mais os jornais e perceberiam que todas as noites homens e mulheres arriscam a vida para atravessar o Mediterrâneo. Sabem que podem morrer e mesmo assim partem todas as noites. O que acontece na Sorbonne não lhes interessa, tal como não interessa aos empresários chineses e indianos ou aos licenciados dos ex-países de Leste. Na verdade, o que está a acontecer na Sorbonne interessa-nos a nós, mas já não conta para o mundo. Como profeticamente escreveu Aron em 1968, estamos perante um psicodrama. Só que agora já nem existe enredo para estes manifestantes. O seu mundo acabou e nada nestas manifestações indica que eles consigam sobreviver no que está para vir.”

22 março, 2006

Primeiro Post

Este é o primeiro post no In-Culto, espero divertir-me, vou escrever sobre o que me der na "bolha", conto com os comentários da "Comunidade".
Um abraço deste vosso In-Culto.